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Yawanawá, O Povo Queixada e a Força do Coletivo!!!


Tomando as queixadas (yawa) como símbolo, o discurso Yawanawá reafirma a coesão grupal e uma relação estável com o território que na atualidade constitui a Terra Indígena Rio Gregório. A língua Yawanawá pertence à família lingüística Pano, apresentando um alto nível de inteligibilidade com a de outros grupos.


Habitam a parte sul da Terra Indígena Rio Gregório,localizada no município de Tarauacá \ AC. A população Yawanawá não se encontra agrupada numa aldeia única, mas distribui-se em várias colocações — assentamentos constituídos por uma ou várias casas e ocupados por famílias extensas — nas margens do rio Gregório, sendo a principal delas a aldeia de Nova Esperança, onde mora o líder atual, Cacique Biraci.


Há menos de meio século, indígenas do povo Yawanawá viviam praticamente escravizados em seringais do Acre. Homens trabalhavam alcoolizados, jovens fugiam das aldeias, velhos e crianças morriam de malária, tuberculose e sarampo. Hoje os Yawanawá são conhecidos por parcerias que mantêm com grandes marcas, por sua presença em fóruns internacionais e por festivais xamânicos em que recebem centenas de visitantes brasileiros e estrangeiros. A caça e a pesca são duas importantes atividades econômicas dos Yawanawás.


O conhecimento das artes — cerâmica, desenhos, armas de madeira, cestaria — fica nas mãos de poucas pessoas, fundamentalmente as mais velhas, se bem que existe um esforço recente por transmitir estes saberes às novas gerações. Saias de palha de buriti, cocares de taboca desenhados e braceletes de palha são também utilizados como enfeites durante as festas rituais. Algumas pessoas ainda fabricam armas (lanças, arcos, bordunas, flechas e punhais utilizados tradicionalmente na guerra) feitas com taboca e madeira de pupunheira brava, e enfeitadas com desenhos, linha de algodão e penas de arara, tucano e papagaio fundamentalmente.


Os líderes Yawanawá dizem que a absorção de elementos externos teve papel central na consolidação de seus rituais ligados à ayahuasca, bebida que eles chamam de "uni". Biraci Júnior afirma que, no passado, os trabalhos xamânicos do povo eram restritos aos homens mais velhos. "Era uma coisa muito focada na medicina (tradicional), com cantos fortes de cura, e aquilo se tornou monótono para a juventude, era muito sem graça", ele diz. Conforme os rituais incorporaram instrumentos antes inexistentes entre o povo, como o violão, o tambor e o maracá, "os trabalhos foram ficando mais animados, e com isso a juventude se despertou em querer aprender a língua, em querer cantar." Hoje Biraci Júnior diz que vários adolescentes Yawanawá falam fluentemente a língua nativa e estão se preparando para se tornar pajés (líderes espirituais) — cenário impensável há algumas décadas.


Ao longo dessa transformação, conseguiram a demarcação de seu território, reinventaram costumes e expulsaram seringueiros e missionários. A trajetória os tornou uma referência para povos indígenas vizinhos, que acabaram por seguir vários de seus passos. A Área Demarcada do Povo Yawanawá é extremamente preservada e auto-suficiente; gerando muitos recursos para a comunidade através do turismo espiritual. Esta etnia é um exemplo bem marcante de como o resgate e a preservação do meio de vida tradicional desses povos é fundamental para a preservação das florestas.


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