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Etnia Noke Koi, Gente Verdadeira.

Os Katukinas-Pano são um grupo indígena que habitam o noroeste do estado brasileiro do Acre, mais precisamente as Terras Indígenas do rio Gregório e as Terras Índigenas do rio Campinas. Sua autodenominação é Noke Koi ou Noke Kuin, que significam “gente verdadeira”. Internamente são ainda reconhecidas seis outras auto-denominações, que se referem aos seis CLÃS, nos quais se dividem: VARINAWA (povo do Sol) - KAMANAWA (povo da Onça) - SATANAWA (povo da Lontra) - WANINAWA (povo da Pupunha) - NAINAWA (povo do Céu) - NUMANAWA (povo do Juriti).


A Língua Katukina pertence à família lingüística PANO, todos os Noke Kuin falam a sua própria língua para se relacionarem. O português é usado exclusivamente para interagir com os brancos. Apesar do longo período de contato com estes, menos da metade da população Noke Kuin é fluente em português.

Nos primeiros anos do contato com os brancos, os Noke Kuin viveram um período de deslocamentos constantes, tentando escapar vivos das "correrias" - incursões cujo objetivo era eliminar as populações indígenas para liberação dos seringais -, organizadas por caucheiros peruanos e seringalistas brasileiros. Fugindo das "correrias", os Noke Kuin dispersaram-se na região. Sem condição de se manterem reunidos, passaram a se deslocar pela floresta, vivendo da caça, coleta e de assaltos aos roçados que encontravam pelo caminho, pois não mais podiam fazer os seus, uma vez que seriam uma pista fácil que inevitavelmente levaria os brancos de volta até eles. Além disso, os deslocamentos eram impulsionados também pela crença de que os espíritos dos mortos, saudosos de seus parentes, poderiam vir à terra para buscá-los.


A composição mais comum das aldeias é do grupo doméstico formado por um casal mais velho, rodeado de seus filhos e filhas solteiras, filhos casados e netos. Observa-se, portanto que, após o casamento, as mulheres vão morar próximo às famílias de seus maridos. Os Noke Kuin têm um repertório vasto de mitos que falam das punições daqueles que mantiveram ou desejaram ter relações incestuosas. A Lua é a cabeça de Oshe, um rapaz que foi flagrado tentando ter relações sexuais com sua irmã e que, para escapar da morte, refugiou-se no céu. Vésper é também a cabeça de um rapaz incestuoso, cunhado de Oshe, que teve o mesmo destino. Qualquer jovem conhece essas histórias, que lhes foram contadas inúmeras vezes durante a infância por seus avós.


As duas principais atividades masculinas são a caça e o preparo do roçado. Os garotos, por volta de 12-14 anos, começam a acompanhar seus pais na mata, para aprenderem os segredos que um bom caçador deve saber: reconhecer os rastros dos animais, seus gritos e assobios, os horários de atividade e inatividade. A melhor época para a caça é o "inverno", período das chuvas, que começa em novembro e prossegue até abril. Nesta época é que amadurece e cai a maior parte dos frutos que servem de alimento aos animais, fazendo com que sejam mais facilmente encontrados. As chuvas, umedecendo o chão da floresta, facilitam a identificação dos rastros dos animais e abafam o barulho dos movimentos do caçador.


Apesar da grande valorização da caça, é a agricultura que oferece a maior parte dos itens que compõem a dieta e é também a atividade que absorve maior tempo de trabalho de homens e mulheres. A macaxeira e a banana são os principais vegetais da dieta. Numa escala secundária plantam batata-doce, cará, taioba, inhame, mamão, abacaxi e cana-de-açúcar. Recentemente os Noke Kuin passaram também a reservar uma grande área do roçado para o plantio de arroz e de milho, para comercializar.


Enquanto as atividades masculinas são executadas fora da casa, grande parte das atividades femininas concentram-se em seus limites. A única exceção é a colheita de macaxeira e banana no roçado. As outras atividades; tais como preparar os alimentos, cuidar dos filhos e lavar roupas e utensílios domésticos, são restritas ao espaço da casa ou as suas imediações. Sempre que houver tempo disponível, uma mulher deverá ainda fazer caiçuma, que pode ser de macaxeira (atsa matxu) ou banana (mane mutsa). O preparo da caiçuma de banana é simples: basta cozinhar a banana, amassá-la (não é mascada) e adicionar um pouco de água. Já o preparo da caiçuma de macaxeira demanda maior tempo e esforço e a iniciativa de fazê-la é sempre de mulheres adultas. Para preparar a caiçuma, a primeira coisa a fazer é colher a macaxeira no roçado; após descascada e lavada, deve ser cortada em pequenos cubos que são colocados numa panela com água e cobertos com folhas de bananeira; pode também acrescentar algumas batatas-doces. Após o cozimento, as mulheres amassam bem a macaxeira com uma colher de madeira e deixam a massa esfriar. Posteriormente, mascam toda a macaxeira cozida até que adquira a consistência de uma pasta. A etapa seguinte consiste em coar essa pasta. Feito isso, a caiçuma está pronta e para consumi-la é necessário apenas acrescentar um pouco de água. Em tempos passados, as mulheres dizem que faziam também caiçuma de pupunha e de milho.




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Olha, o texto acima é de autoria total ou parcial da professora Edilene Coffaci de Lima. Uma pesquisadora que dedicou anos da sua vida junto a esse povo para que estas palavras fossem escrita. É uma questão de respeito citar a autora.

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O nome para o que fizeram é um só: plágio.


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